terça-feira, 21 de abril de 2009

Vida em cores




Há dias em que acordo sem hora para dormir, sem planos, sem sonhos, sem rumo
Em dias como este nem sei se acordada vivo ou se vivendo durmo
Nas frases “devanecentes”: licenças poéticas e muita preguiça das vírgulas e regras


Dias tediosos e obscurecidos por nuvens que tornam o horizonte nebuloso
Fazem-me sentir a falta das cores
Logo invento a alegria
E a paixão aflora como uma flor no deserto


Em busca de vida, nos livros percorro caminhos de muitos pinceis e tintas
E lá vem Miró, com seu jardim insano e colorido, como um show pirotécnico de olhos e bocas que flutuam
E a graça há de pairar em tristes olhos que buscam Renoir
Bailarinas rosadas parecem dançar, é Degas pedindo que eu cante para o espetáculo continuar


Corro no campo de trigo e ciprestes, ao longe avisto os girassóis
O semeador está a trabalhar
Van Gogh me convida para uma noite estrelada


Mas antes do entardecer, encontro-me com Monet
Traz-me as flores que perfumam meus sonhos, desses que brotam tão puros e verdes
A poesia invade meu peito com rimas que cantam como pássaros que passaram


Ah, quanto amor por todo lugar, acima e embaixo das densas nuvens e do extenso mar
Encantada com a cena delicada e simples, desejo o beijo de Klimt

Toda a confusão do silêncio que pré-existe, parece discursar perante as curvas e retas de Kandinsky


A pesada capa do livro fecha-se

No céu, entre as nuvens, a lua sorri para mim
Chegou a hora de dormir
A alcova dos sonhos me espera

A vida é realmente bela.