
Há dias em que acordo sem hora para dormir, sem planos, sem sonhos, sem rumo
Em dias como este nem sei se acordada vivo ou se vivendo durmo
Nas frases “devanecentes”: licenças poéticas e muita preguiça das vírgulas e regras
Em dias como este nem sei se acordada vivo ou se vivendo durmo
Nas frases “devanecentes”: licenças poéticas e muita preguiça das vírgulas e regras
Dias tediosos e obscurecidos por nuvens que tornam o horizonte nebuloso
Fazem-me sentir a falta das cores
Logo invento a alegria
E a paixão aflora como uma flor no deserto
Em busca de vida, nos livros percorro caminhos de muitos pinceis e tintas
E lá vem Miró, com seu jardim insano e colorido, como um show pirotécnico de olhos e bocas que flutuam
E a graça há de pairar em tristes olhos que buscam Renoir
Bailarinas rosadas parecem dançar, é Degas pedindo que eu cante para o espetáculo continuar
Corro no campo de trigo e ciprestes, ao longe avisto os girassóis
O semeador está a trabalhar
Van Gogh me convida para uma noite estrelada
Mas antes do entardecer, encontro-me com Monet
Traz-me as flores que perfumam meus sonhos, desses que brotam tão puros e verdes
A poesia invade meu peito com rimas que cantam como pássaros que passaram
Ah, quanto amor por todo lugar, acima e embaixo das densas nuvens e do extenso mar
Encantada com a cena delicada e simples, desejo o beijo de Klimt
Toda a confusão do silêncio que pré-existe, parece discursar perante as curvas e retas de Kandinsky
A pesada capa do livro fecha-se
No céu, entre as nuvens, a lua sorri para mim
Chegou a hora de dormir
A alcova dos sonhos me espera
Chegou a hora de dormir
A alcova dos sonhos me espera
A vida é realmente bela.