quarta-feira, 23 de setembro de 2009
Onde não sei
Morador desconhecido e inteligível
Atrevido, forasteiro gozador
Poeta encantado, vagabundo,
Insondável profundo, mero espectador.
Recusa-se a andar segundo as regras,
Não oferece guerra ou trégua, nem ódio, nem amor.
Indiferente, sente o esmorecer de sua mente
Pela falta da alegria e ausência da dor.
E rima imprudente, displicente,
Negando a vivência da coragem e do temor.
Descansa todo dia,
Agonia infinita, do silencio gotejante do labor.
Atravessa ladeando a saudade,
Na dispensa da abulia, zombeteiro da paixão.
Gargalha da incerteza e da clareza, da feiúra e da beleza,
E do medo da solidão.
Abandonado, desconcertado, esquecido,
Pobre infame sonhador
Nem sabe que procura, inocente,
Completar-se, onde não sente,
Com o maciço e puro amor.
terça-feira, 22 de setembro de 2009
Remanso da Indiferença

Imolado em sua bondade,
Entre escombros, a coragem
De quem ousa viver
Escapam-lhe as cores
Sem muitos amores,
Num eterno sofrer
Entre choro e alegria,
A mesma agonia,
O mesmo querer
Exprimir-se não pode,
Diante das dores,
Que encobrem seu ser
E quem é que o vê?
Mais que um padecer, um menino
E quem é que o vê?
Poderá vislumbrar seu sorriso?
No céu infinito,
Ergue-se monolítico
Na esperança de ter
Cargueiro da saudade
Intenta a liberdade
Que nunca se viu
Brotam ervas em seus campos,
Regadas com a lágrima
Que nunca caiu
E assim não se sabe
Para onde, suplicante, aquele olhar seguiu
E quem é que o viu?
Mais que um caminhar, um caminho
E quem é que o viu?
Quem pode transformar seu destino?
Assinar:
Postagens (Atom)
